Casa Mínima: história da casa mais estreita de Buenos Aires

Por se tratar de um dos bairros mais antigos de Buenos Aires, o encantador bairro San Telmo é como um museu a céu aberto que guarda em suas ruas e esquinas grandes memórias que contam a história não só da região, mas também da cidade e do país. O tradicional bairro, que já foi o lar de famílias aristocratas e posteriormente de imigrantes recém chegados na capital, mantém até hoje seu estilo arquitetônico e charme histórico, tornando-se portanto um dos principais pontos de interesse para o turista na cidade. E é uma de suas famosas esquinas, em uma pequeníssima casa, conhecida como a mais estreita de Buenos Aires, que conta uma história de mais 200 anos.

Casa Mínima: história da casa mais estreita de Buenos Aires

A Casa Mínima, como é conhecida, está localizada bem no coração de San Telmo, na Calle San Lorenzo 380, esquina com a notável e popular Calle Defensa (onde todos os domingos acontece a Feira de San Telmo). É possível que quem caminhe por ali possa deixar a casa passar por despercebido. Não se trata, por exemplo, do Monumento Malfada, há poucos metros dali, e que todos os dias reúnem grandes filas de turistas para tirar uma foto de sua graça. Trata-se, contudo, de uma construção no mínimo curiosa e interessante, que chama muito a atenção por sua estrutura e dimensões.

A Casa Mínima possui apenas 2,5 metros de largura e 13 de profundidade e encanta principalmente por sua fachada simples e simpática. Com uma alta porta de duas folhas de madeira pintadas de verde e uma adorável sacada no andar de cima, a Casa Mínima é hoje um intrigante ponto turístico que conta um pouco da sofrida história dos escravos negros na Argentina.

Na metade do século XIX haviam cerca de 800 mil escravos negros em Buenos Aires e com a abolição da escravatura esses escravos precisaram ir em busca de um lugar para viver. A Casa Mínima, na época apenas um pequeno sobrado de uma casa muito maior ao lado, foi cedida a um escravo recém liberto para que ele pudesse morar com a sua família, sem deixar de trabalhar para o seu senhor, uma prática comum na época da abolição.

Bom, pelo menos essa é uma das histórias de origem mais aceitas para o local. Como é comum em uma cidade tão histórica como Buenos Aires, muitos dos fatos e provas vão se perdendo ao longo do tempo, ao ponto que hoje alguns acreditam que isso não passa de uma lenda. O outro lado da história é de que em 1871 quando a epidemia de febre amarela atacou a cidade e as famílias ricas que moravam nos casarões abandonaram o bairro, a casa foi dividida em três cortiços, surgindo as dimensões atuais da Casa Mínima. O mistério, portanto, continua ali escondido entre as paredes argila.

A última pessoa a viver na casa foi um artesão na década de 1970. Porém, foi somente em 1994 que Don Jorge, dono do espaço cultural El Zanjón, comprou a casa e deu início a sua reforma e conservação. Atualmente a casa faz parte de sua programação de visitas guiadas a lugares históricos de Buenos Aires, em uma viagem que revisita o passado esquecido da cidade. Durante o recorrido, que acontece de domingo a sexta-feira, é possível fazer uma degustação de vinho, ter aulas de tango, entre outras atividades.

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By | 2018-04-16T20:05:21+00:00 Fevereiro 27th, 2016|Categories: ARTE + CULTURA, Blog, DORMIR + BAIRROS, PASSEIOS + PONTOS TURÍSTICOS|0 Comments

About the Author:

Haendel Dias
Haendel Dias. Mineiro, recém legalmente portenho. Obcecado e graduado em Cinema. Ansioso, insone, cruzeirense e cervejeiro. Comanda os vídeos da Aguiar e assina diversos posts do blog. Aos 15 anos sonhava em ter uma banda, hoje, em ter um bar e milhas vitalícias. É editor de vídeo, musicalmente difícil de agradar, compulsivo, aficionado em astronomia e psicologia. Lê e escreve religiosamente histórias de suspense e complexidades humanas.